Faxinal do Bepe – A Volta e a História

O Faxinal do Bepe é um dos locais lendários de Blumenau e porque não, de Santa Catarina. Colonizado pela família Molinari nos anos 50, passou a fazer parte do Parque Nacional da Serra do Itajaí e precisou ser abandonado pela família em 2013. O que antes era uma pousada em uma vila familiar no coração de uma próspera e linda fazenda não passa de ruínas em meio à uma natureza que procura se restaurar.

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A História do Faxinal do Bepe

Um século depois da saga dos primeiros dezessete imigrantes da Colônia Blumenau, outra saga acontecia, em escala bem menor em termos numéricos e espaciais, mas igualmente marcante em termos de aventura do espírito humano, por volta de 1950. Foi quando Giuseppe Molinari, o Bepe, morador de Lageado Baixo, município de Botuverá, passou a trabalhar para João Bianchini, que tinha posse de terras nas cabeceiras do ribeirão Warnow, município de Indaial, acessível por extensas picadas na floresta. “Viemos trabalhar na coivara e não saímos mais”, recorda seu filho mais velho, Ari Molinari, que então acompanhava o pai, aos 12 anos de idade.

Antes disso Giuseppe (José) já faziam incursões pela área, para conhecê-la e para caçar. Foi quando Ari esteve no lugar pela primeira vez, com o pai e o tio Vicentin. À noite, no acampamento montado com folhas e galhos obtidos ali mesmo na mata, o pai mandou que ele fosse buscar água no córrego logo abaixo, mas, “eu não ia, tinha medo”. Pudera. Ninguém morando por perto, selva pura, ruídos estranhos na escuridão, presença não apenas de tudo o que era real, mas, também e principalmente, no imaginário do menino que nessa ocasião tinha apenas oito anos!

Comprada a posse e feito o primeiro rancho com ripas de xaxim, telhado de palha e panela pendurada para o fogo no chão batido, veio a mudança com a família: Bepe e esposa Cléria, ainda na faixa dos 37 – 35 anos e os sete filhos vivos, dos onze que tiveram: Ari, com 14 anos, Davi aos 12, Isair com uns 8 anos, Dolores (6), Martim (5), Marta (2) e Jorge, de apenas 6 meses de idade. Picadão na floresta, por mais de 8 horas, todos a pé e descalços, como descalços viveram até hoje. Só de travessia de córregos, pés nas águas e nas pedras, foram 21 vezes. Cinco cargueiros (mulas) levavam a mudança simples, acomodada nos lombos e em bruacas nas laterais dos animais. Mais um cavalo. Justo a mula que carregava o berço do pequeno Jorge, teve a bruaca trancada numa ponta de taquara que estalou, assustando o animal que corcoveou, quebrando tudo. O bebê, por sorte, ia no colo da mãe.

Com essa mudança começou, no dia 11 de fevereiro de 1953 ou 1957 (datas sem confirmação), o quase lendário Faxinal do Bepe, uma espécie de vila familiar de tantas histórias, aventuras, sorrisos e dramas. Passados 60 anos os Bepe se despedem, mas o nome fica. Os visitantes continuarão. Não mais para caçar e destruir como muitos faziam, mas, para apreciar a fauna a ser recuperada e preservada, espera-se, no Parque Nacional da Serra do Itajaí.

fonte: Jornal de Santa Catarina 28/10/2013 | N° 13023

O Fim do Faxinal do Bepe

Missa marca despedida (27/10/2013) de Família Molinari do Faxinal do Bepe

A estrada de terra castigada pela chuva de sábado à noite foi obstáculo pequeno diante da persistência para estar na última festa da Família Molinari, no Faxinal do Bepe, ontem de manhã. Pouco antes das 9h, o trecho que liga o Distrito do Garcia à comunidade reservava muito barro e pouca facilidade para os carros pequenos. Até mesmo o padre João Leonardo Hoffmann precisou ser resgatado por jipeiros para chegar à missa marcada para as 10h.

Cinco minutos antes da cerimônia ele estava lá, recepcionado por Isair Molinari, a esposa Teresa e os filhos Angelo e Ana Paula. A missa e a festa marcadas foram símbolos do fechamento da pousada mantida pela família há pelo menos 50 anos. A partir desta semana, os precursores do Faxinal do Bepe começam a sair da comunidade, cuja área será desapropriada para uso do Parque Nacional Serra do Itajaí.

A partir de hoje (28/10/2013), conforme combinado pelos Molinari com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra a unidade ambiental, a pousada não poderá ser mais aberta. Os tradicionais encontros de jipeiros, ciclistas e adoradores da natureza agora só serão permitidos diante de autorização prévia. Apesar de o encontro de ontem ter sido uma despedida, a alegria predominou. Todos que estavam presentes tinham uma história para contar sobre aventuras no Faxinal do Bepe. A maioria começava o assunto pela mesma forma: “venho aqui desde pequeno”.

Dos sete filhos de José Molinari, o criador do faxinal, quatro estavam lá. Com eles, filhos, netos, amigos, conhecidos. Na missa rezada pelo padre João Leonardo, a pequena capela de Bom Jesus de Iguape, construída pela própria família, ficou ainda menor. Do lado de fora, era possível ver pessoas chorando pela despedida.

– Vim de moto no começo do ano pela primeira vez. É uma alegria pra mim ser o escolhido para celebrar este momento – afirmou o padre.
Depois da missa, um churrasco foi servido com alimentos da propriedade dos Molinari. A música da gaita embalou o começo da tarde e ditou os últimos momentos do local que será guardado na memória dos frequentadores.

Na noite de 27/10/2013 a Pousada dos Molinari foi fechada pela última vez. A partir da saída da família da propriedade, a Furb deve ocupar o local como base para recuperação do meio ambiente do Faxinal do Bepe. O que os antigos frequentadores, amigos, familiares e os próprios Molinari esperam é que a comunidade continue exibindo a natureza que os atraiu para lá.

 

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Um sujeito que mede o seu próprio sucesso pelo que inspira outras pessoas a fazerem de bom pelas suas vidas. Um eterno sonhador, corredor, artesão, cozinheiro, fly fisherman, criador do Endorfine-se, portal multi esportivo para quem corre ou pedala na rua e na montanha. Um belo dia resolveu levar uma vida mais saudável e perdeu 28kg em 5 meses e agora quer dividir com todo o mundo o que aprendeu e ainda vai aprender \o/

JosaJr

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