Jeito certo de correr existe e está ao seu alcance

Para quem da suas corridas abaixo de 5k 2 ou 3 vezes por semana, sempre em baixa intensidade, buscando manter a forma e o condicionamento, a biomecânica correta, ou o jeito certo de correr pode ser uma preocupação menor, ou nem gerar preocupações, pois certamente o risco de se lesionar por correr biomecanicamente errado é bem menor (mas ainda assim existe). Para esses corredores se uma dorzinha diferente aparecer é tranquilo optar por ficar uma semaninha sem correr.

Mas quem não é profissional e mesmo assim corre mais à sério em busca de completar uma prova mais importante, uma nova distância ou quebrar algum recorde pessoal, os que eu chamo de amadores profissionais (rss), ficar correr por lesão é uma tragédia. Parar de correr por dor é uma opção quase nula. Nessa semana, por exemplo, meu volume está em 67k divididos em rodagens, regenerativos, ritmo e tiros, descontando aí alguns aquecimentos e resfriamentos. Obviamente eu me preocupo em fazer isso direito. Aí entra a preocupação com a biomecânica, com o jeito certo de correr.

o jeito certo de correr existe
o jeito certo de correr existe

O padrão ideal de corrida existe

Correr certo gera menor sobrecarga e consequentemente previne lesões. Veja o texto da fisioterapeuta Raquel Castanharo, formada e mestra em biomecânica da corrida na USP. Ela afirma que apesar de cada pessoa ter sua maneira de correr, o seu jeitão, há um jeito certo de correr, que melhora a performance sem prejudicar os músculos e articulações

Existe um jeito certo de correr?

Mesmo considerando que cada pessoa tem seu modo particular de se mover, a resposta para essa pergunta é “sim”! O padrão ideal de corrida gera menor sobrecarga sobre os músculos e articulações, previne lesões e melhora a performance. Ele tem alguns pontos importantes que, se presentes dentro das suas características particulares de movimento, vão gerar uma corrida eficiente e saudável:

– Aterrissagem próxima ao centro de gravidade: o pé, quando vai tocar o chão, deve estar perto do tronco e não muito afastado para frente. Quando o pé aterrissa próximo ao nosso centro de gravidade – um ponto na região lombar, aproximadamente -, o braço de alavanca da força gravitacional sobre as articulações é menor. Traduzindo: os músculos precisam fazer menos força para manter o corpo em pé, e a sobrecarga – compressão, desgaste – sobre as articulações é menor;

– Aterrissagem com o médio pé: aterrissar tocando primeiramente o calcanhar no chão gera um pico de impacto brusco sobre o corpo. Quando se aterrissa batendo primeiro o meio do pé no chão, e não o calcanhar, esse pico de impacto é atenuado, o que diminui os riscos de lesão – como, por exemplo, as fraturas por stress. Isto acontece porque os próprios músculos do corpo agem mais para absorver o impacto, poupando as articulações e ossos. Este padrão de pisada, associado à aterrissagem do pé próxima ao tronco, proporciona uma corrida com menores forças que freiam o corpo, e os músculos trabalham de uma maneira mais eficiente;

– Poucos movimentos de rotação e lateralização: pegando o joelho como exemplo, seu principal movimento durante a corrida é o de flexão e extensão. Se nele ocorrer uma rotação exagerada, ou uma grande inclinação para o lado – “cair” para dentro é o mais comum -, as chances de lesão aumentam. Esta importância do alinhamento pode ser extrapolada para todas as articulações.

– Economia de energia: todos os pontos citados acima já proporcionam economia de energia para o corpo, o que pode ser convertido em melhor desempenho. Além disso, é importante manter uma postura alta e não “pular” durante a corrida. A postura alta facilitará a execução dos movimentos adequadamente, e deslocamentos verticais exagerados só geram desperdício de energia e aumentam o impacto do corpo com o solo.

Este é o padrão de corrida (o jeito certo de correr que nos referimos) observado nos melhores atletas profissionais, mas é acessível a todos com um bom treinamento. Ele é a chave para potencializar seus treinos, prevenir e tratar lesões.

Fonte: EuAtleta

O Jeito certo de correr

About JosaJr

Um sujeito que mede o seu próprio sucesso pelo que inspira outras pessoas a fazerem de bom pelas suas vidas. Um eterno sonhador, corredor, artesão, cozinheiro, fly fisherman, criador do Endorfine-se, portal multi esportivo para quem corre ou pedala na rua e na montanha. Um belo dia resolveu levar uma vida mais saudável e perdeu 28kg em 5 meses e agora quer dividir com todo o mundo o que aprendeu e ainda vai aprender \o/

JosaJr

Um sujeito que mede o seu próprio sucesso pelo que inspira outras pessoas a fazerem de bom pelas suas vidas. Um eterno sonhador, corredor, artesão, cozinheiro, fly fisherman, criador do Endorfine-se, portal multi esportivo para quem corre ou pedala na rua e na montanha. Um belo dia resolveu levar uma vida mais saudável e perdeu 28kg em 5 meses e agora quer dividir com todo o mundo o que aprendeu e ainda vai aprender \o/

13 comentários em “Jeito certo de correr existe e está ao seu alcance

  • agosto 16, 2013 em 12:42 pm
    Permalink

    Josa, esse post foi muito bom pra mim! Eu corro a pouco tempo e não tenho assessoria e nem treinador, fico muito em duvida da mecânica da minha corrida! O meu professor luta diz que eu tenho que pisar com calcanhar e depois ponta e eu nao concordava muito! Num curso falaram que deve pisar so com a ponta dos pés! E vc esclareceu que devemos aterrissar no meio do pé! Qdo vc puder, pode passar mais detalhado a questão da pisada na hora da corrida?
    Adorei mais uma vez seu post! Tem me ajudado muito!
    Abraço
    Vanessa
    http://www.nossodiariodetreino.wordpress.com

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  • agosto 16, 2013 em 1:12 pm
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    Olá Vanessa, obrigado pelas palavras 🙂
    Bem, existe mesmo esse lance de ensinarem a correr errado, rsss. Alguns dizem que quando se está iniciando, correr aterrizando com o calcanhar é mais fácil e tals, mas todos os ortopedistas esportivos com quem já conversei discordam. Primeiro porque é melhor aterrizar com o médio pé é melhor para o corpo, cientificamente comprovado em diversos estudos modernos. Segundo porque é mais fácil aprender certo no começo do que depois que os movimentos “errados” estão consolidados. Nos próximos dias vou postar mais coisas sobre a pisada, incluindo aí alguns vídeos.
    Mais uma vez, obrigado pela visita e pelo comentário, fico feliz em ajudar 🙂

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  • agosto 19, 2013 em 11:06 pm
    Permalink

    Faaala JR… Gostei muito deste post… Sempre fui meio Forrest Gump pra correr… Chego e saio correndo… Bem semi-semi-amador… hehehehe… Neste fds, corri dois dias tentando aplicar o máximo do que li no post… A diferença é perceptível!!! Incrível… Você termina a corrida inteiro… Muito legal… Abração…

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  • agosto 20, 2013 em 8:33 am
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    Olá Aldo, querido amigo,
    Fico feliz que as dicas tenham ajudado. Se me permitir mais uma dica, procure ir se adaptando aos poucos, escolha uma parte do treino para aplicar as mudanças mais significativas, como a pisada com o médio pé, e vá aumentando esse tempo aos poucos, assim vai estressar menos as panturrilhas e o corpo aprende com o tempo.
    Abração

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  • abril 20, 2016 em 2:21 pm
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    òtimo artigo, pois tenho tentado melhorar meu treinos e aumentar minha condição fisica e principalmente prevenir lesões.

    Resposta

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